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Jen Guyton, PhD.

Jen Guyton

Estudante de Doutoramento, Universidade de Princeton (EUA)

 

Vim pela primeira vez para o continente Africano, em 2008, depois de uma vida dividida entre dois outros continentes. Eu nasci de uma mãe Alemã e pai Americano, e embora eu crescesse na Califórnia, visitávamos a Alemanha quase todos os anos. Não demorou muito, durante o meu programa de estudo no estrangeiro, na Tanzânia, para que me apercebesse que a África seria a minha terceira casa. Em 2010, assim que terminei o meu bacharelato em Estudos de Conservação e de Recursos na Universidade da Califórnia em Berkeley, dei comigo comprometida com um ano na África do Sul a estudar o comportamento das suricatas no deserto de Kalahari.

 

A minha introdução à Gorongosa foi um resultado directo dessa decisão. Quando o meu ano no Kalahari terminou em 2011, fiz uma viagem, sozinha, de autocarro através da África do Sul e até ao extremo norte de Moçambique para visitar um amigo do Corpo de Paz. Durante quase três dias seguidos, sentada num autocarro, sem saber falar a língua das pessoas sentadas ao meu lado, eu li o meu guia de viagem de capa a capa. Perto da secção relativa à Beira, dei com uma meia página que descrevia a história da Gorongosa. Fiquei fascinada pela história da sua regeneração, e pela enorme capacidade e visão das pessoas por detrás do projecto. Eu não consegui visitar o parque durante essa viagem, mas conservei o nome “PNG” num canto da minha mente.

 

Dezoito meses mais tarde, enquanto trabalhava no Quénia em ecologia dos hipopótamos, conheci o Rob Pringle, um novo professor assistente na Universidade de Princeton. Ouvi dizer que ele estava envolvido num projecto em Moçambique, num lugar chamado Gorongosa. Lembrei-me imediatamente, e desenterrei a incrível história do GNP e li-a pela segunda vez. Deparei-me com o que foi para mim uma peça chave de informação: durante a guerra, a população de hipopótamos caiu de 3.500 para 100 indivíduos. Como resultado da investigação que eu estava a fazer no Quénia sobre estes enormes mamíferos, eu sabia que a sua diminuição devia ter tido um enorme efeito sobre o ecossistema do parque. Naquele momento eu estava à procura de oportunidades de pós-graduação, e por isso entrei em contacto com o Rob e, finalmente, consegui um lugar no programa de Doutoramento em Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade de Princeton.

 

De um modo geral, eu estou interessada em perceber como a ecologia das comunidades e dos ecossistemas pode ser aplicada à conservação, e adoro desenterrar as grandes questões que ainda não têm respostas. Obviamente, estou fascinada pelos hipopótamos da Gorongosa - em outras partes da África, eles têm sido vistos a criar canais profundos à medida que se movimentam para e desde os campos de pastagem onde se alimentam em cada noite. Os canais provavelmente têm grandes impactos sobre o sistema, redireccionando as águas, criando habitats, e mudando os padrões da vegetação. Estes canais também são evidentes no Lago Urema, e eu espero vir a saber como é que os hipopótamos estão a mudar a ecologia deste sistema de terras húmidas.

 

Mas os hipopótamos não são o meu único interesse. Em Abril de 2013, participei no primeiro levantamento da biodiversidade do GNP na qualidade de especialista em pequenos mamíferos. Eu tive a oportunidade de conhecer a maioria dos personagens dos mamíferos mais subvalorizados do parque, as criaturas que vivem nas profundezas ou que voam alto e que normalmente não se vêem até que saibamos exactamente para onde olhar. Acho os morcegos especialmente interessantes. Desde o nariz em forma de ferradura até focinhos afilados e línguas construídas para beber o néctar, eles encontraram uma incrível diversidade de maneiras incomuns para preencher o seu papel no mundo enquanto únicos mamíferos que voam.

 

De um modo geral, eu estou totalmente encantada com a paisagem da Gorongosa e os seus animais - os humanos também! A equipa apaixonada e diversificada da Gorongosa marca pontos em tudo o que contribui para um esforço de conservação / desenvolvimento bem sucedido. Mal posso esperar para começar a investigação para a minha tese e trabalhar com esta equipa neste parque bonito e sem igual.