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O Regresso dos Leopardos ao Parque Nacional da Gorongosa

4 Agosto, 2018

 


 

Moçambique, África – O Parque Nacional da Gorongosa é a principal área natural de Moçambique. O Parque é o coração de uma região onde o Governo de Moçambique e a Fundação Carr se associaram num plano de longo prazo para trazer de volta à vida um vasto e diversificado ecossistema natural. Os programas do Parque também beneficiam as comunidades humanas vizinhas - uma visão para uma área onde as necessidades da natureza e das pessoas se pretendem equilibradas. 

 

Hoje, muitas espécies no Parque voltaram em força. A uma curta distância de carro do alojamento principal em Chitengo, podemos encontrar manadas de impalas, inhalas, cudos, inhacosos (pivas) e elefantes. Estes herbívoros são as espécies  fundamentais sobre as quais um ecossistema em recuperação se baseia, e o que se pode esperar é que depois venham os seus predadores naturais. O retorno de grandes carnívoros - leões, leopardos, hienas e cães pintados (mabecos) – seria um forte indicador do equilíbrio ecológico e de um ecossistema saudável.

 

Misteriosamente, no entanto, apesar de uma população de leões em recuperação, presas abundantes e habitat adequado, por mais de uma década, o felino mais esquivo de África - o leopardo - mostrou poucos sinais de existir no Parque. Nem um único leopardo havia sido avistado por qualquer fiscal, guia de safaris, câmara remota ou expedição científica desde 2008.

 

Mas eis que o inesperado aconteceu.

 

No dia 29 de Março de 2018, a apenas 20 minutos do alojamento principal do Parque em Chitengo, o guia Leonardo Felix Mandevo do Parque Nacional da Gorongosa regressava  o acampamento ao fim do dia, quando apontou o holofote através de uma moita de palmeiras e o foco de luz mostrou um leopardo macho. O leopardo atravessou calmamente a picada em frente a um grupo de turistas incrédulos (Zander Beetge, Marlina Moreno e Tero Makinen) e de guias (Leonardo Mandevo e Richard Lusinga). Naquele único lampejo de luz, foi feita história e uma espécie que não era vista por ninguém no Parque há mais de uma década estava oficialmente de volta ao mapa.

 

"Ver é crer. A Gorongosa é saudável. A minha alegria duplicou quando vi a felicidade dos nossos guias Moçambicanos que viram o leopardo. Este ecossistema é a sua herança cultural e biológica”, disse Greg Carr, que co-gestiona o Projecto da Gorongosa desde 2008.

 

Mandevo foi o primeiro a identificar o leopardo. Ele nasceu na Vila da Gorongosa, e colidera safaris no Parque diariamente para um crescente mercado de turistas que visitam a Gorongosa. “É uma grande honra ter visto o leopardo. Estou aqui há três anos e estamos sempre a tentar encontrar um. Quando finalmente consegui, quase não acreditei nos meus olhos. Estou muito feliz!”, disse Mandevo.

 

Os grandes felinos sobrevivem hoje em áreas protegidas da África por causa do trabalho dedicado dos fiscais locais para proteger os seus habitats. As missões e patrulhas da equipa treinada do Parque, composta por 230 fiscais - todos Moçambicanos - produziram, em termos inequívocos, resultados tangíveis. Equipas de fiscais patrulham o Parque diligentemente, 365 dias por ano, cobrindo milhares de quilómetros enquanto percorrem uma natureza selvagem que poucas pessoas experimentaram na sua plenitude. O seu trabalho levou a um declínio de 94% em leões apanhados em armadilhas no Parque e de 60% no declínio na pressão da caça furtiva, em apenas dois anos.

 

O Dr. Rui Branco, Chefe da Fiscalização do Parque, que supervisiona os fiscais,  comentou: “Conhecendo os altos riscos para a recuperação dos leopardos, focámo-nos intensivamente na garantia de um corredor chave ao longo da fronteira leste do Parque que é adjacente a vastas concessões florestais às quais se segue a Reserva do Marromeu. Sabemos que populações remanescentes ainda existem lá. Este corredor é crítico para a sobrevivência dos leopardos nesta região. Hoje temos uma prova viva de porque é que este trabalho é importante.”

 

Nas próximas semanas, os fiscais e a equipa de monitoramento dos grandes felinos continuarão a seguir a pista do leopardo para tentar entender mais sobre aonde ele está a movimentar-se e se ele está com outros leopardos nesta área. "Quando alguém chega, o mais provável é que surjam mais", disse Paola Bouley, directora-adjunta da equipa de recuperação de carnívoros apoiada pela “Big Cat Initiative” da National Geographic. “Este é um macho em óptima forma. Jovens machos como este são os exploradores que vão sempre mais longe à medida que buscam novos territórios e companheiras, forçando os limites. As pessoas sempre nos têm perguntado se temos leopardos no Parque, bem, finalmente podemos dizer: sim, temos!”.

 

Mais informações: Os ecossistemas em todo o planeta evoluíram para acomodar populações saudáveis de presas, bem como as principais espécies de carnívoros que dependem delas para a sua sobrevivência. Infelizmente, muitas populações de grandes carnívoros sofreram declínios em grande escala: perda de habitat e perda de presas; comércio ilegal crescente de partes do corpo, devido à procura para usos tradicionais e pelos mercados orientais; e, também conflito com os seres humanos e os seus animais domésticos. Em reconhecimento pelo seu futuro ameaçado, em 2016, os EUA listaram o leão africano no Acto de Espécies Ameaçadas. Pouco tempo depois, os cientistas demonstraram que os leopardos logo seguirão o mesmo caminho se a sua protecção não for fortalecida. Mesmo uma espécie tão tenaz, esquiva e adaptável a ambientes dominados por seres humanos como o leopardo simplesmente não está mais em segurança.

 

Em lugares remotos da África selvagem - como o centro de Moçambique - algumas dessas espécies persistem. Elas têm uma forte probabilidade de sobrevivência se forem o foco de intensos esforços de recuperação, como o programa da Gorongosa. O Projecto da Gorongosa assinou recentemente parcerias estratégicas com proprietários de terras adjacentes ao Parque para preservar e proteger os principais corredores de fauna bravia e para assegurar que paisagens grandes e conectadas façam parte do futuro desta região.

 

Sobre o Parque Nacional da Gorongosa e o Projecto da Gorongosa O Parque Nacional da Gorongosa é o principal parque nacional de vida selvagem de Moçambique, localizado na extremidade sul do Grande Vale do Rift do Leste Africano. É o lar de alguns dos  ecossistemas biologicamente mais ricos e geologicamente mais diversos do continente africano. 

 

As suas fronteiras abrangem as grutas e desfiladeiros do planalto de Cheringoma, as vastas savanas do Vale do Rift, e a preciosa floresta tropical da Serra da Gorongosa.

 

Imagem cedida por Zander Beetge a quem desde já agradecemos

 

O Projecto da Gorongosa integra a conservação e o desenvolvimento humano com a ompreensão de que um ecossistema saudável beneficiará os seres humanos, que por sua vez serão motivados a apoiar os objectivos do Parque da Gorongosa.

 

 

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