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Descoberta de novas espécies de morcegos do Parque Nacional da Gorongosa e Norte de Moçambique

25 Julho, 2018

Zoological Journal of the Linnean Society

 

Por Jen Guyton

 

Quarta-feira, 25 de Abril de 2018

 

Moçambique, África – Um novo estudo recém publicado no “Zoological Journal of the Linnean Society” descreveu três novas espécies de morcegos na África Austral. Um (denominado Rhinolophus gorongosae) parece ocorrer apenas no Parque Nacional da Gorongosa em Moçambique e possivelmente também no Monte Mecula nas proximidades. Usando técnicas genéticas e morfológicas, R. gorongosae foi considerado distinto das populações vizinhas de morcegos-ferradura. Com uma massa de apenas 5 g, este “anão” torna-se no menor morcego-de-ferradura da África.

 

 

Uma segunda espécie, Rhinolophus rhodesiae, também foi confirmada como uma espécie  distinta encontrada no norte de Moçambique e em outras partes da África Austral.  Estamos entusiasmados em adicionar duas novas espécies de morcegos à lista de verificação para Moçambique", diz Jen Guyton, um dos co-autores. "Não é frequente que novas espécies de mamíferos sejam descritas, mas os métodos genéticos estão a revolucionar a taxonomia e permitem-nos descobrir toda uma série de espécies elusivas."

 

Além disso, uma população da África Austral de uma terceira espécie, Rhinolophus lobatus, anteriormente considerada idêntica a uma espécie da África Ocidental R. landeri,

foi descrita como uma nova espécie única em Moçambique e na África do Sul. Substitui assim R. landeri na lista de espécies para Moçambique.

 

 

 

Utilizando uma gama de técnicas modernas de análise acústica de batidas de eco localização de morcegos para análise de DNA molecular e estudos morfológicos do crânio, osso da pata e do pénis (baculum), liderados pelo Professor Peter Taylor da Universidade de Venda e pelo Centro de Invasão de Biologia e uma grande equipa de colaboradores da UKZN, Universidade de Stellenbosch, Universidade de Wits, Universidade de Pretória, Universidade da Suazilândia, “Field Museum” de História Natural de Chicago, Museu Nacional Ditsong e Museu de Ciências Naturais de Durban, destacou a estreita distribuição destas novas espécies.

 

Dois cientistas do Parque Nacional da Gorongosa, a estudante de doutoramento da Universidade de Princeton (EUA), Jen Guyton, e Piotr Naskrecki, director associado do Laboratório E.O. Wilson, também contribuíram para a descrição de R. gorongosae e R. lobatus. Estas descrições basearam-se largamente em espécimes recolhidos na Gorongosa nos últimos cinco anos e recolhidas no Museu de Durban na África do Sul,  em como em gravações acústicas feitas nos morcegos da Gorongosa. Esses espécimes e registos foram colectados como parte das pesquisas anuais de biodiversidade do Laboratório E.O. Wilson, que procuram documentar toda a flora e fauna macroscópicas do Ecossistema da Grande Gorongosa.

 

Devido à sua provisão de serviços ecossistémicos, alta diversidade e padrões de endemismo, os morcegos são particularmente preocupantes para a conservação e são um grupo apto para estabelecer prioridades de conservação.

 

Em cerca de 1.115 espécies reconhecidas, os morcegos representam cerca de 20% de todas as espécies de mamíferos. Este estudo eleva a contagem de espécies de morcegos para Moçambique a 71. Estas descobertas aumentam a já notável diversidade e complexidade do ecossistema da Gorongosa, que sofreu um declínio quase total de grandes mamíferos durante a guerra civil Moçambicana. Desde 2004, a Fundação Carr e o governo de Moçambique têm trabalhado para restaurar o ecossistema ao seu estado préguerra, com um sucesso espectacular. Recentemente, os cientistas da Gorongosa descobriram que o Parque e as áreas circundantes (o Ecossistema da Grande Gorongosa) possuem uma fauna de morcegos particularmente rica. A partir de 2018, pelo menos 45 espécies de morcegos são conhecidas do EGG, o que é ~ 63% do número total de espécies conhecidas de Moçambique. Esta contagem de espécies excede as 42 espécies de morcegos conhecidas para o Parque Nacional Kruger da África do Sul, uma área protegida muito mais estudada e que é maior que o EGG. No entanto, Moçambique é pouco explorado e várias espécies conhecidas de morcegos são elusivas; algumas partes do norte do país não têm dados completos sobre morcegos. Os autores deste artigo estão, assim, confiantes de que Moçambique continuará a produzir novas espécies de morcegos no futuro próximo.

 

“A Serra da Gorongosa, o fragmento mais meridional da floresta tropical “Afromontane” no mundo, e Khodzué, o enorme sistema de cavernas de calcário dentro do ecossistema da Gorongosa onde Rhinolophus gorongosae também ocorre, são tesouros da biodiversidade para África”, diz Guyton. “Os nossos inquéritos anuais à biodiversidade já descobriram uma riqueza de espécies no Ecossistema da Grande Gorongosa, mas lugares como Khodzué e a Serra da Gorongosa merecem uma maior exploração.” “Este estudo destaca a importância de áreas protegidas como o Parque Nacional da Gorongosa para a sobrevivência da biodiversidade mundial”, diz Naskrecki. “Moçambique está rapidamente a tornar-se um dos líderes na conservação da biodiversidade africana, e mais descobertas como esta são esperadas”.

 

Sobre o Parque Nacional da Gorongosa e o Projecto da Gorongosa O Parque Nacional da Gorongosa é o principal parque nacional de vida selvagem de Moçambique, localizado na extremidade sul do Grande Vale do Rift do Leste Africano. É o lar de alguns dos ecossistemas biologicamente mais ricos e geologicamente mais diversos do continente africano. As suas fronteiras abrangem as grutas e desfiladeiros do planalto de Cheringoma, as vastas savanas do Vale do Rift, e a preciosa floresta tropical da Serra da Gorongosa.

 

O Projecto da Gorongosa é uma das maiores histórias de restauração da vida selvagem em África. Em 2008, foi estabelecida uma Parceria Público-Privada de 20 anos para a gestão conjunta do PNG entre o Governo de Moçambique e a Fundação Carr (Projecto Gorongosa), uma organização sem fins lucrativos dos EUA. Em 2016, o Governo de Moçambique aprovou a prorrogação, por mais 25 anos, da gestão conjunta.

 

Adoptando um modelo de conservação do século XXI que equilibra as necessidades da vida selvagem e das pessoas, estamos a proteger e a salvar esta bela região natural, devolvendo-a ao seu devido lugar como um dos maiores parques de África.

 

 
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