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Atribuído prémio prestigioso à Dra. Susana Carvalho

26 Outubro, 2016

Gorongosa, Moçambique – A equipa de gestão do Parque Nacional da Gorongosa (PNG) felicita a Dra. Susana Carvalho, Directora-Adjunta de Paleontologia e Primatologia do PNG, por ganhar o Prémio Philip Leverhulme. O prémio reconhece as realizações de investigadores relevantes, cujo trabalho já atraiu reconhecimento internacional e cuja carreira futura é excepcionalmente promissora. De acordo com o Comunicado de Imprensa da Oxford University abaixo traduzido para Português, a Dra. Susana está a estudar o outro bem conhecido modelo de primata Africano para as origens evolutivas humanas, o babuíno da savana. Este é um dos objectivos do Projecto Paleo-Primata (PPP) na Gorongosa, Moçambique, juntamente com o estudo arqueológico e dos vestígios fósseis na área do Parque da Gorongosa. Porquê aqui? Porque Moçambique apresenta o último elo ainda por estudar na zona oriental do Grande Vale do Rift Africano, onde se encontram os dois berços da humanidade. Este prémio permitirá à Dra. Susana a criação de um Laboratório de Investigação de Modelos de Primatas, e ter em Oxford uma base para os projectos de grande escala que estão a iniciar-se. Isso inclui equipamentos de laboratório e de campo, material de laboratório, viagens e ajudas de custo durante viagens de campo para a Guiné (para estudar o transporte de ferramentas pelos chimpanzés), Koobi Fora, Quénia (para escavações arqueológicas em depósitos do Plioceno), e Parque Nacional da Gorongosa, Moçambique (para levantamentos arqueológicos e paleoantropológicos desta parte inexplorada do Vale do Rift). A temporada-piloto da equipa do PPP em 2016 já confirmou que a Gorongosa contém informações importantes para compreender a evolução dos ecossistemas africanos e, em particular, a evolução dos ancestrais humanos.

 

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Comunicado de Imprensa: Universidade de Oxford – Escola de Antropologia e Museu de Etnografia Dra. Susana Carvalho (ICEA) ganha o Prémio Philip Leverhulme devido à sua investigação excepcional

 

25 de Outubro de 2016

 

A Escola felicita a Dra. Susana Carvalho (ICEA) pelo seu Prémio Philip Leverhulme, o qual foi anunciado esta semana. Este ano, trinta prémios foram atribuídos em cinco áreas temáticas (Arqueologia; Química; Economia; Engenharia; Geografia; e Línguas e Literaturas) e cada um reconhece "a realização de investigadores relevantes, cujo trabalho já atraiu reconhecimento internacional e cuja carreira futura é excepcionalmente promissora”.

 

O trabalho da Dra. Susana é a base de uma nova sub-disciplina académica: arqueologia dos Primatas. Os seus estudos revelaram pela primeira vez que os padrões de comportamento e contextos que geram os conjuntos de ferramentas dos chimpanzés modernos, podem ser comparados com os recuperados ao passado, para macacos e humanos. A pesquisa da Dra. Susana aborda algumas das questões mais desafiadoras no campo da arqueologia: Quantos anos tem a tecnologia dos hominídeos? Que fazedores de ferramentas podemos associar com as primeiras indústrias líticas? Podemos documentar a cultura material em depósitos do Plioceno? Qual é o papel das matérias-primas no surgimento da tecnologia?

 

Quando e como surgiram comportamentos relacionadas com a tecnologia? (i.e., transporte, selecção) Que características individuais (i.e., idade, capacidade) influenciaram a aprendizagem social e a transmissão de conhecimentos? Agora sabemos que os seres humanos não são a única linhagem evolutiva a ter deixado tal registo; os primatas não-humanos na Antiguidade também deixaram artefactos líticos. Isto proporciona a oportunidade para modelar origens tecnológicas da nossa espécie, comparando o que os arqueólogos encontraram em África no passado com o que os nossos parentes vivos mais próximos, os chimpanzés estão a fazer no presente. Assim, a Dra. Susana estuda simultaneamente tanto o comportamento como os produtos do comportamento, algo que nenhum arqueólogo a trabalhar apenas com o passado pode fazer. Há dez anos atrás, tudo isto era especulação. Em 2008, enquanto estudante de mestrado, a Dra. Susana publicou um documento marcante mostrando que um esquema arqueológico convencional, chaîne operatóire, poderia ser aplicado à tecnologia elementar de macacos. Ela, então, começou as escavações de um sítio de chimpanzés numa floresta da Guiné, usando métodos arqueológicos tradicionais e instrumentação. A partir de 2009 a sua pesquisa produziu outras aplicações que lançaram luz sobre aspectos básicos da tecnologia, como o transporte de matérias-primas, uso-desgaste em ferramentas, processos de formação local, etc. No seu pós-doutoramento, A Dra. Susana continuou a explorar os limites destas ciências, por exemplo, empregando técnicas de geoprocessamento para compreender os padrões de desgaste nas superfícies das ferramentas de pedra.

 

Os trabalhos anteriores da Dra. Susana fizeram algumas contribuições fundamentais para a arqueologia e a antropologia biológica. Mas ainda estão por vir experiências que apresentem o uso de ferramentas de pedra por chimpanzés selvagens com os mesmos tipos de pedras utilizadas pelos hominídeos da África Oriental, milhões de anos atrás. E, também a inserção de transmissores de GPS em miniatura em martelos de pedra numa floresta Africana, para seguir com precisão o seu transporte pelos macacos em redor da área onde eles habitam. Simultaneamente, a Dra. Susana está a estudar o outro bem conhecido modelo de primata Africano para as origens evolutivas humanas, o babuíno da savana. Este é o objectivo do Projecto Paleo-Primata (PPP) na Gorongosa, Moçambique. Porquê ali? Porque Moçambique apresenta o último elo ainda por estudar na zona oriental do Grande Vale do Rift Africano, onde se encontram os dois berços da humanidade. Este prémio permitirá à Dra. Susana a criação de um Laboratório de Investigação de Modelos de Primatas, e ter em Oxford uma base para os projectos de grande escala que estão a iniciar-se. Isso inclui equipamentos de laboratório e de campo, material de laboratório, viagens e ajudas de custo durante viagens de campo para a Guiné (para estudar o transporte de ferramentas pelos chimpanzés), Koobi Fora, Quénia (para escavações arqueológicas em depósitos do Plioceno), e Parque Nacional da Gorongosa, Moçambique (para levantamentos arqueológicos e paleoantropológicos desta parte inexplorada do Vale do Rift).

 

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O Projecto de Restauração da Gorongosa procura integrar a conservação e o desenvolvimento humano com a compreensão de que um ecossistema saudável irá beneficiar os seres humanos, os quais por sua vez se sentirão motivados para apoiar os objectivos do Parque Nacional da Gorongosa. A investigação científica faz parte integral do plano de longo prazo para a restauração do ecossistema da Gorongosa, porque um profundo conhecimento do ecossistema da Gorongosa irá ajudar a gestão do Parque a tomar melhores decisões sobre a sua conservação. O Laboratório de Biodiversidade E.O. Wilson foi inaugurado em Março de 2014, e colocou a Gorongosa como um dos pólos de investigação mais avançados da África Austral. O Laboratório atraiu a atenção nacional, regional e internacional e cientistas de diversas instituições têm estado a fazer investigação no Parque: as Universidades Eduardo Mondlane e Universidade do Lúrio em Moçambique, a Universidade de Coimbra, em Portugal, e as Universidades de Harvard e Princeton, nos EUA.

 

Um dos papéis mais importantes do Laboratório é providenciar formação à próxima geração de cientistas moçambicanos no Parque e também enviá-los para universidades de modo a tirarem diplomas avançados. Alguns jovens (provenientes das comunidades vizinhas do Parque ou das escolas técnicas da região centro), que recebem assistência financeira total ou parcial do Laboratório, já começaram a estudar em universidades e escolas de nível médio para futuras carreiras como veterinários, ecologistas e técnicos de laboratório. Se desejar receber mais informações sobre este assunto, ou se pretender marcar uma entrevista com as pessoas envolvidas no projecto, por favor ligue para Vasco Galante através de +258 822970010 ou envie email para [email protected]

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