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Contagem Aérea da Fauna Bravia

2 Março, 2017

Contagem aérea da fauna bravia revela a recuperação em curso do Parque Nacional de Gorongosa enquanto um dos destinos principais da conservação e da observação da natureza e da fauna bravia 

Grous coroados e inhacosos no tando (planície aluvial) da Gorongosa
 
Em 2014, uma ampla contagem aérea da Gorongosa revelou a recuperação extraordinária da fauna bravia desde que os animais foram dizimados durante os 16 anos de guerra em Moçambique de 1977 a 1992. Na altura foram contados 71.086 herbívoros de 19 espécies. Em 2016, uma nova contagem teve lugar e desta vez foram contados 78.627 herbívoros. Estes valores representam um aumento de 7.500 animais (ou 10%) desde 2014.
 
Em Novembro passado, o Director dos Serviços Científicos da Gorongosa, Marc Stalmans, liderou uma extensa contagem aérea de fauna bravia na zona sul e nas partes centrais do Parque Nacional da Gorongosa. Estas áreas representam cerca de 50% do parque, mas são consideradas o melhor habitat com a maior densidade animal de vida selvagem. O Dr. Stalmans está entusiasmado com os resultados: 
"Em termos gerais, o Parque tem resistido bem aos anos anteriores de seca e às pressões crescentes da caça furtiva, num momento de relativa instabilidade na região. A recuperação da fauna bravia está a progredir a olhos vistos.”
Segundo o Dr. Stalmans: "As duas estações que antecederam a contagem da fauna aérea de 2014 foram caracterizadas por chuvas abundantes e boas condições de pastagem. No entanto, a maior parte da África Austral tem estado desde então sob a pressão de uma seca extrema. A Gorongosa não escapou a estas condições de seca. A precipitação registada em 2014-2015 de Outubro a Fevereiro, que representa o período crítico para a sobrevivência das crias, foi apenas metade da do período correspondente em 2013-2014. Durante esta estação chuvosa anterior de 2015-2016, a precipitação foi reduzida para metade novamente e somou apenas um quarto daquela recebida durante o período 2013-2014 de Outubro até Fevereiro. Mortalidades generalizadas de hipopótamos têm sido documentadas no Parque Nacional Kruger na África do Sul como consequência desta seca.”
 
Na Gorongosa o impacto da seca foi sentido principalmente pelas espécies de menor porte como os oribis, os changos, as imbabalas e os facoceros. Trata-se, na sua maioria, de alimentadores selectivos que requerem alimentos de maior qualidade, que podem ter sido reduzidos devido à seca. Os facoceros, em particular, diminuíram em número. Esta última espécie é tipicamente a primeira a sofrer devido à seca, mas também pode recuperar muito rapidamente quando as condições se tornarem ​​novamente favoráveis.
 
No entanto, a maioria das espécies de maior porte têm resistido bem à seca e até aumentaram em número. Os números dos elefantes, dos búfalos, dos hipopótamos, dos pala-palas, dos cudos, das inhalas e das impalas continuaram a crescer. As impalas quase duplicaram os seus números para 4.700 animais. Os inhacosos também aumentaram bastante, embora com uma taxa mais lenta, para um espantoso número de 45.000 indivíduos.
 
A contagem de 2016 confirmou a recuperação contínua da Gorongosa como um dos destinos principais de conservação e observação da natureza e da sua fauna bravia. O número de várias das espécies já se recuperou de tal forma que a Gorongosa começou a contribuir para o repovoamento de outras Áreas Protegidas em Moçambique. Durante o mês de Outubro passado, mais de 550 animais, entre inhacosos, facoceros e changos foram capturados com sucesso na Gorongosa e transferidos para o Parque Nacional do Zinave e para a Reserva Especial de Maputo, a fim de reforçar a recuperação destas duas Áreas Protegidas.
 
A contagem foi também uma oportunidade para proporcionar uma experiência prática a três recém licenciados da Faculdade de Veterinária da Universidade Eduardo Mondlane e, sendo a pesquisa científica parte integrante do esforço de restauração da Gorongosa a longo prazo, um dos seus papéis mais críticos é providenciar formação para a próxima geração de cientistas Moçambicanos no Parque. Vários alunos, que receberam assistência tutorial e financeira, total ou parcial, do Laboratório de Biodiversidade da Gorongosa, já começaram a estudar em universidades para futuras carreiras como veterinários, ecologistas e técnicos de laboratório.

 

Categoria: 
Science