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Susana Carvalho

Susana Carvalho, Ph.D.

Directora-Adjunta de Paleontologia e Primatologia 

Atualmente sou Professora Associada na Universidade de Oxford e "Fellow" em Paleoantropologia no St. Hugh's College. Fiz um pós-doutoramento no Centro para o Estudo Avançado da Paleobiologia Humana, na Universidade George Washington (EUA), e fui "Junior Research Fellow" no Clare Hall College enquanto completava o meu doutoramento em Antropologia Biológica - Primatologia, na Universidade de Cambridge (Inglaterra). Fiz a Licenciatura em Arqueologia na Universidade do Porto, e depois um Mestrado em Evolução Humana na Universidade de Coimbra. O meu trabalho de campo para o Mestrado e Doutoramento fez a ponte entre a arqueologia e primatologia, com o apoio de meios internacionais de financiamento, como a Fundação Wenner-Gren para Pesquisa Antropológica.

Sou uma Primatóloga e Arqueóloga interessada na evolução do comportamento humano, com especial ênfase nos comportamentos relacionados com as  tecnologias. Os meus focos principais de pesquisa são o uso de ferramentas de pedra pelos chimpanzés selvagens, e a arqueologia do Plioceno (2.6 a 5.3 Milhões de anos), ambos em África. Sou uma das fundadoras da área de estudo da arqueologia dos primatas. Tenho projectos na África Oriental (Quénia) e na África Ocidental (Guiné Conakri). Em 2015, comecei um fantástico desafio como Directora-Adjunta de Paleoantropologia e Primatologia no Parque Nacional da Gorongosa, em Moçambique. Localizado no extremo sul do vale do Rift, a Gorongosa é uma das peças que faltam analisar para entendermos melhor o quebra-cabeças das origens humanas. O Parque combina características geológicas da África Oriental e Austral, onde foram encontradas evidências-chave da evolução humana.

Fazer a ponte entre a observação do comportamento dos nossos parentes mais próximos, os chimpanzés, e os dados dos primeiros conjuntos arqueológicos humanos, é uma área de pesquisa muito frutífera  que está a ajudar-nos a compreender como algumas características-chave dos ancestrais humanos poderão ter evoluído ao longo do tempo. Além disso, com o recente início das investigações na Gorongosa, temos a oportunidade de explorar uma das partes menos conhecidas da zona oriental do Vale do Rift Africano, e onde queremos reconstruir a história evolutiva desta área, totalmente desconhecida mas crucial para contextualizar a evolução humana. Vamos usar este habitat moderno, um típico ecossistema-mosaico, para criar modelos dos habitats do passado, onde hominineos (ancestrais humanos) podem ter evoluído.

Estamos a começar um novo projeto de longo duração: PPP - Projecto Paleo-Primata da Gorongosa - num dos ecossistemas ecologicamente mais diversos de África, o Parque Nacional da Gorongosa. Com habitats que vão desde as florestas às planícies aluviais, e com cerca de 200 bandos de babuínos não-estudados, a Gorongosa oferece-nos uma oportunidade única para aprendermos sobre as adaptações dos primatas às paisagens complexas. O estudo dos primatas não-humanos da Gorongosa irá fornecer indícios sobre como os antepassados dos seres humanos se adaptaram às paisagens semelhantes no passado. A Gorongosa é também susceptível de nos fornecer provas directas sobre os nossos antepassados humanos e as suas adaptações. O estudo dos primatas vivos e dos potenciais sítios fósseis e arqueológicos vão ser o cerne do projeto interdisiciplinar. O projeto inclui igualmente cursos de formação nas varias áreas da evolução humana e na defesa e promoção do património local e tem como objetivo a criação de uma escola de campo para estudantes e investigadores das Universidades de Moçambique e do estrangeiro.