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Ryan A. Long, PhD.

Ryan A. Long, PhD.

Investigador de Pos-Doutoramento Associado da Universidade de Princeton (EUA)

 

Cresci entre artemísias e pinheiros imponentes no centro de Oregon, onde me deixei fascinar pela beleza e complexidade do mundo natural desde que me lembro. Este fascínio acabaria por levar-me a tirar um diploma de bacharel em Biologia da Vida Selvagem na Universidade de Alaska Fairbanks. Foi nesta academia que despertei o gosto pela investigação de animais selvagens. Esse gosto tomou a forma de um estudo sobre o comportamento e fisiologia dos esquilos do Ártico no norte do Alasca e as experiências que realizei durante esse tempo foram a base para a década seguinte do meu percurso profissional. Casei com a minha namorada do colégio Kathleen enquanto ambos realizávamos os nossos estudos superiores na UAF. Depois de concluir no Alasca, resolvi continuar os estudos e tirar um mestrado em Recursos da Vida Selvagem na Universidade de Idaho. Por último, concluiria um doutoramento em Biologia na Universidade Estatal de Idaho. Foi a minha pesquisa de pós-graduação que proporcionou a oportunidade de trabalhar com herbívoros de grande porte e estes mamíferos únicos têm sido o foco da minha pesquisa desde então.

 

Apercebi-me da Gorongosa e da sua incrível história e potencial de investigação de nível mundial pela primeira vez quando, no último ano do meu programa de doutoramento, enviei um e-mail a Rob Pringle em Princeton sobre uma vaga por ele anunciada para um investigador de pós-doutoramento para trabalhar no Quénia. Na sua resposta, o Rob gentilmente indicou que a posição no Quénia não seria a posição certa para mim mas aferiu do meu interesse noutra vaga que ele tinha disponível para trabalhar na Gorongosa. Uma coisa levou à outra e eu acabaria por ter o privilégio de aceitar a oferta de Rob no sentido de trazer o meu programa de pesquisa para o seu laboratório e começar a estudar os herbívoros de grande porte  na Gorongosa.

 

A minha pesquisa na Gorongosa visa entender o papel das termiteiras uniformemente distribuídas no apoio às populações de herbívoros de grande porte de diversos tamanhos. Em ecossistemas de savana como a Gorongosa, as termiteiras suportam frequentemente conjuntos únicos de plantas altamente nutritivas para os herbívoros. Consequentemente, essas termiteiras podem servir como pontos de acesso a recursos que ajudam a manter os herbívoros durante o stress da estação seca. As necessidades de energia, no entanto, diferem entre herbívoros de tamanhos diferentes e por isso um dos meus objectivos é compreender a importância relativa das termiteiras para os grandes herbívoros contrapostos aos pequenos. Com este fim, o meu trabalho na Gorongosa implicará colocar coleiras de GPS em imbabalas, inhalas e cudos, de modo a monitorar o seu uso das termiteiras e compreender melhor as complexas relações entre cada uma destas espécies e a paisagem única da Gorongosa.

 

Tal como muitos ecologistas de mamíferos grandes que eu conheço, desde criança sonhava com a oportunidade de trabalhar em África. Trabalhar na Gorongosa é contudo um privilégio que superou as minhas expectativas mais elevadas. Não só a Gorongosa é um dos ecossistemas mais dinâmicos e diversificados do mundo, mas também as maneiras únicas segundo as quais as várias espécies de herbívoros grandes têm recolonizado o Parque desde 1994 proporcionam uma oportunidade para abordar tanto questões básicas como aplicadas a uma escala que é inalcançável em qualquer outro lugar do mundo. Além disso, a dedicação das muitas pessoas associadas ao Parque e ao Projecto de Restauração são uma fonte contínua de inspiração para pessoas como eu, o que faz com que trabalhar na Gorongosa se torne um prazer genuíno.