Os nossos programas de assistência médica pautam-se por uma ideia simples mas poderosa: a saúde do Parque Nacional da Gorongosa está directamente ligada à saúde das pessoas que vivem à volta do Parque. E vice-versa. 

 

Esta é a ideia por detrás do programa ECOHEALTH, uma iniciativa financiada pela USAID e PEPFAR, e o logótipo do nosso programa diz tudo:  

Este programa tornou-se possível graças ao generoso apoio do povo americano através da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), através do acordo de cooperação 656-A-00-11-00075-00.

 

O programe é baseado no modelo "PHE". Em poucas palavras, significa que a segurança do meio ambiente está directamente ligada à população e à saúde das pessoas.

 

Veja aqui algumas das coisas que estamos a fazer para melhorar a saúde das milhares de pessoas que vivem à volta da Gorongosa:

 

Clínicas Médicas Móveis 

Através de clínicas médicas móveis, conseguimos chegar a algumas das famílias mais vulneráveis em algumas das áreas mais remotas da região da Gorongosa. Para muitas pessoas, este é o seu primeiro contacto de sempre com um profissional da assistência médica. A procura por vezes pode ser esmagadora, com centenas de pessoas a aparecerem para serem tratadas. Mas é um trabalho profundamente gratificante, porque não há nenhuma dúvida sobre isso: estas clínicas móveis salvam muitas vidas.

 

As clínicas móveis são um primeiro ponto de contacto critico, onde podemos identificar e cuidar de pacientes vulneráveis e de alto risco, tais como mulheres grávidas e crianças. Nós fornecemos cuidados pré-natais, encaminhamos as futuras mães para instalações preparadas para partos em vez de terem os filhos em casa, e ensinamos cuidados pós-natais, incluindo os conceitos básicos de nutrição infantil e saneamento. Também oferecemos serviços de planeamento familiar para as famílias que desejam adiar a gravidez e desfrutar dos benefícios económicos e sociais de uma família menos numerosa.

 

As clínicas também nos dão a oportunidade de conhecer e começar a cuidar de crianças vulneráveis, particularmente os órfãos e crianças subnutridas. Fornecemos a vacinação, acompanhamento do crescimento e conselhos sobre higiene e saneamento aos pais. Todas essas medidas aumentam drasticamente as hipóteses de sobrevivência de uma criança. Oferecemos também uma gama de serviços médicos vitais para uma ampla gama de problemas de saúde, tais como sintomas relacionados com malária, diarreias e infecções respiratórias.

 

Também usamos esta oportunidade de contacto para ensinar às pessoas os princípios fundamentais sobre a prevenção de doenças (por exemplo, redes mosquiteiras, tratamento de água potável, aconselhamento e teste VIH/SIDA), gestão de doença (incluindo a malária e VIH/SIDA), e princípios e práticas para uma melhor nutrição e saneamento.

 

Comunicamos ainda os poderosos benefícios económicos e sociais do planeamento familiar, os efeitos libertadores de prolongar a educação das meninas, e informamos as mulheres sobre seus direitos legais para ajudar a prevenir a violência de género.

 

Parteiras Tradicionais

As nossas pesquisas mostram, que 84% por cento das mulheres na Gorongosa deram à luz o seu último bebé em casa. Ao treinar e apoiar as parteiras tradicionais (TBAs) que vivem e trabalham nas comunidades, podemos garantir que o nosso enfoque na saúde reprodutiva continua e que as taxas de mortalidade materna e infantil irão baixar.

 

TBA Perfil- Laurinha Paulino

Laurinha Paulino trabalha como parteira tradicional na comunidade de Nhankuco na Serra da Gorongsa desde Julho de 2011. Ela tem 22 anos e tem quarto filhos de 8, 6, 4 e 2anos. O termo parteira tradicional não é o termo exacto, na medida  em que Laurinha e as suas colegas não são formadas em partos em casa. Na realidade, a sua função é acompanhar a mulher grávida a uma unidade de saúde, de modo a assegurar um parto seguro, por um técnico qualificado. Este tipo  de parteiras tradicionais são conhecidas por matronas, ajudantes de mães. 

"Eu gosto de ser matrona porque providencio um serviço muito importante à minha comunidade, pois ajudo muita gente." 

 

Laurinha diz que a coisa mais valiosa que ela aprendeu ao participar neste programa foi reconhecer sinais de perigo tanto nas mães, como nos recém-nascidos. 

"Eu não sabia nada de sinais de perigo específicos e acredito que este conhecimento esteja a ajudar muitos membros da minha comunidade.”   

 

Nos últimos três meses, Laurinha aconselhou mulheres em 9 partos, 6 dos quais se realizaram em postos de saúde. Tal representa um salto qualitativo para 66% de partos seguros, comparados com os nossos dados de referência de16% de partos seguros.  Algumas das maiores barreiras que impedem as mulheres de terem partos em unidades de saúde incluem a distância (leva cerca de 4 horas a pé de Nhankuco até ao  posto de saúde de Canda), falta de informação acerca dos riscos de dar à luz em casa e da importância das cerimónias tradicionais que são levadas a cabo em casa a seguir ao parto. Mas as parteiras tradicionais estão a conseguir ser campeãs efectivas desta mensagem e no seu primeiro ano de trabalho já conseguiram elevar a média de partos seguros em unidades de saúde para 44%.

 

Agentes de Saúde Comunitários

Ao treinar e apoiar grupos de agentes de saúde comunitários (ASCs), estamos a expandir bastante a nossa capacidade de fornecer cuidados constantes e consistentes para as pessoas da Gorongosa. Todos os agentes de saúde comunitários são membros das comunidades que servimos e foram seleccionados pelas próprias comunidades. Eles recebem 5 meses de formação e voltam para suas aldeias com os conhecimentos e as ferramentas necessárias para melhorar drasticamente as vidas de seus amigos e familiares.

 

Pela primeira vez, em 2012, 23 agentes de saúde comunitários voltaram para 14 comunidades diferentes, totalmente formados sobre os conceitos básicos de promoção da saúde e prevenção de doenças e estão agora equipados para diagnosticar e tratar a malária, diarreias e infecções respiratórias. Além disso, eles receberam treino sobre temas de conservação ambiental e podem até mesmo agir como fiscais informais do Parque na sua comunidade. Mais agentes de saúde estão sendo treinados e este programa vai continuar e expandir-se.

 

ASC Perfil - Carlos Félix Melo

Carlos Félix Melo graduou-se no programa de formação em saúde comunitária levado a cabo em Julho de 2012. Tem 25 anos, é casado e tem dois filhos de 3 e 1 anos. É originário da comunidade de Murombodzi, na zona tampão, que tem uma população de cerca de 3500.00 pessoas. 

"A coisa mais valiosa que aprendi ao tornar-me Técnico de Saúde Comunitária foi como prevenir as doenças mais comuns na minha comunidade, como eliminar as zonas de reprodução de mosquito para reduzir a malária e como gerir dejectos domésticos de forma a melhorar a higiene e condições sanitárias para prevenir a diarreia."

Desde que se tornou um ASC, Carlos construiu uma latrina e um aterro sanitário na sua própria casa, seguindo as instruções apreendidas durante o curso. Outra das mudanças implementadas este ano por Carlos foi o uso de técnicas agrícolas de conservação para preparar as suas machambas, conforme o que aprendeu num workshop de educação ambiental no CEC. Este ano, o Carlos empregou os referidos métodos nos seus terrenos, evitando queimadas para preparar o solo para as plantações, empregando fertilizante natural de modo a preservar a qualidade do solo.

 

Desde que se tornou ASC, Carlos tratou ou encaminhou muitos pacientes da comunidade afectados de malária, diarreia ou infecções repiratórias. Carlos leva também a cabo cerca de 150 visitas a domicílio por mês, durante as quais ele transmite mensagens de educação para a saúde aos membros do lar, por exemplo, se houver um mulher grávida, ele promove cuidados pre-natais e partos em   unidades de saúde, e, havendo crianças com  menos de 5 anos, ele promove a vacinação e tratamento de água. 

 

Melhorando a segurança alimentar

Esforçamo-nos por melhorar a segurança alimentar de pessoas na área da Gorongosa (principalmente as pessoas mais vulneráveis tais como os órfãos e os seus cuidadores) através da introdução de hortas domésticas, ensinando como criar animais, fornecendo educação nutricional e promovendo técnicas de agricultura de conservação para aumentar o rendimento das culturas.