Diário do Director de Conservação

"Chamo-me Pedro Muagura e sou o Director de Conservação aqui no Parque Nacional da Gorongosa. Tenho 45 anos de idade, sou casado e tenho cinco filhos lindos. Todos os dias, eu vou trabalhar pensando em como eu quero que eles conheçam a Gorongosa quando forem crescidos e possam trazer os seus próprios filhos, meus netos, para ver este lugar tão especial. Para os Moçambicanos como eu, a Gorongosa é um tesouro nacional, um lugar que faz parte da nossa alma. Estou orgulhoso de estar a liderar a equipa encarregada de proteger e salvar Gorongosa, mas também sei que é uma responsabilidade muito importante.

 

Eu amo as árvores. Passei a maior parte da minha vida adulta trabalhando na floresta e replantando as árvores que outros cortaram. É justo dizer que eu pessoalmente tenho sido responsável pelo plantio de milhões de árvores. É a minha paixão. Nos últimos anos, estive à frente do nosso programa de reflorestamento na Serra da Gorongosa. Nós empregamos 50 fiscais para supervisionar o esforço de replantio. Mas também temos muita ajuda das comunidades. Eles sabem que as árvores são o seu futuro também.

 

Saibam que as árvores na Serra da Gorongosa são especiais por várias razões. Primeiro, elas fazem parte da que é provavelmente a maior faixa de "floresta húmida de montanha" na África Austral. A floresta na montanha está repleta de criaturas incríveis, algumas das quais são completamente exclusivas desta floresta. Imaginem, elas existem apenas aqui e em mais nenhum outro lugar na Terra! Mas as árvores aqui são também especiais por outra razão, muito importante: elas permitem que o solo sob elas absorva toda a chuva que cai aqui na estação chuvosa. Esta água é depois libertada lentamente ao longo do ano, mantendo a água a fluir nos rios e lagos no vale e mantendo saudável todo o ecossistema da Gorongosa, incluindo pessoas e animais. Sem as árvores, toda a água escoaria da montanha em poucas semanas e a vida seria muito mais difícil para tudo e para todos, uns meses mais tarde na estação seca.

 

Estas pequenas mudas de árvores são plantadas e desenvolvem-se em sacos de plástico de açúcar reaproveitados, e são tratadas como bebés por cuidadosas mãos humanas – membros da população local da montanha que nos oferecem graciosamente o seu tempo, trabalho e amor. As preciosas sementes de espécies de árvores nativas como Panga Panga e Chanfuta são obtidas a partir do solo fértil ao som de antigas canções e orações secretas. Depois de semanas de sol e água, agora já com alguns centímetros de altura, estão prontas para a viagem. Elas são retiradas dos viveiros e levadas pelos caminhos, montanha acima, pela população local. Lá, em locais onde as árvores foram perdidas e o sol faz o solo arder e os pássaros não cantam, nós colocamo-las na terra. Ao fazermos isso, todos nós cantamos canções para a montanha e para os rios no vale lá em baixo. As nossas canções dizem à montanha e aos rios para não chorarem. E dizem-lhes que viemos para ajudar.

Cada muda de árvore que plantamos é um desejo e uma promessa de que esta montanha sagrada, uma verde e imponente catedral de árvores, estará aqui por toda a eternidade." 

"O caminho mais claro para o Universo é através de uma floresta por desbravar." - John Muir