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Investigação sobre Leões

Embora a fauna bravia tenha aumentado muito no Parque, os números dos leões têm-se mantido estáveis. A nossa equipa de investigação sobre leões, liderada pela Paola Bouley, está a trabalhar com afinco para tentar perceber porque é que a população dos leões não está a aumentar tão depressa como deveria. Está-se a tentar compreender quais os factores, como por exemplo a abundância e diversidade das presas, a genética, as doenças, e os impactos humanos (incluindo caça furtiva e os efeitos das fronteiras do Parque) que podem estar a afectar o crescimento da população dos leões.

 

Nós acompanhámos Paola no seu trabalho e fizemos-lhe algumas perguntas sobre ele:

 

Q: Como é que segue a pista dos leões

Os leões são reconhecidamente muito difíceis de estudar, especialmente num ecossistema de savana tão complexo e diverso como o que predomina nas paisagens da Gorongosa. Nós seguimos os leões através da vista (a pé ou por carro, graças a avistamentos de fiscais ou de visitantes, ou à actividade de abutres em locais onde os leões mataram uma presa), através de som (escutando os seus rugidos nocturnos para os localizar) e também usando tecnologia como colares localizados via satélite, os quais revelam informação detalhada sobre os movimentos diários dos leões.

 

Q: Como é que identifica cada um dos leões? 

Cada leão tem um padrão específico de manchas de rosto em cada lado do seu focinho. E tal como as impressões digitais humanas, não existem dois padrões de manchas de rosto iguais e eles não mudam ao longo dos anos. Através de fotos (incluindo fotos tiradas pelos visitantes do Parque) nós somos capazes de identificar de forma inequívoca os leões. Os visitantes do Parque ajudam-me e participam de forma activa na nossa investigação sobre leões ao partilharem as suas fotos de leões connosco.  Partilhe connosco a sua foto e contribua para a nossa investigação.

 

Q: Como é que determina a idade dos leões?  

Se eu tiver a sorte de observar os leões desde o momento em que eles deram os seus primeiros passos e começaram a socializar com o seu bando, eu posso controlar a sua idade com precisão ao longo dos anos.  Para outros casos, baseio-me num conjunto de características tais como o tamanho e coloração do corpo, o tamanho da juba, o estado da dentição e uma técnica de avaliação de idade através da cor do nariz de cada indivíduo.  Os leões nascem com o nariz cor-de-rosa e à medida que envelhecem o nariz adquire uma crescente pigmentação (igualmente com um padrão diferente para cada leão), que eventualmente se tornará completamente escura.

 

Diário de Campo da Paola

"Acabei de fazer um período intensivo de trabalho de campo – 51 dias seguidos no mato, observando e documentando os sazonalmente elusivos leões da Gorongosa e participando num projecto de media para partilhar a história destes leões e a sua  recuperação. 

 

O trabalho de campo é bastante árduo, especialmente nesta altura do ano. Estamos no pico da época seca – sem chuvas significativas durante mais de 5 meses, com temperaturas abrasadores e uma atmosfera cheia de fumo e cinzas devido às queimadas, uma combinação que põe à prova todas as criaturas vivas que vivem aqui. Quando as chuvas chegam, ainda que ligeiras, e o fumo gradualmente se dissipa, as queimadas cessam e a Serra da Gorongosa volta a ser visível no horizonte da planície, tornando-se numa referência à medida que nos aventuramos em novas áreas à procura dos leões.

 

 

A natureza da nossa investigação implica que nos tornemos criaturas nocturnas, em contraste com os nossos mecanismos biológicos, para podermos fazer o nosso trabalho de observar os maiores carnívoros de África quando eles estão mais activos e visíveis. Trabalhámos durante a noite, tentando dormir um par de horas durante o calor do dia (quando as nossa tendas normalmente atingiram temperaturas verdadeiramente infernais). 

 

Os leões pareceram ser mais escassos agora do que durante a minha anterior viagem em Maio e não temos a certeza sobre qual a explicação. Algumas das razões possíveis são: queimadas, estiagem, movimentação sazonal, maior intensidade de caça furtiva e de patrulhas de fiscalização e combate à caça furtiva. Provavelmente nenhum destes factores por si só é a explicação. Quaisquer que sejam as razões, o nosso projecto tem por missão perceber e contar esta história e muitas das minhas horas de caminhadas foram ocupadas tentando absorver mentalmente as paisagens, as condições, os leões e as suas localizações, e a informação partilhada e filtrada via guias, visitantes, patrulhas e ex-caçadores furtivos.

 

Entre outras coisas, estamos no processo de documentar um novo bando – um que detectámos inicialmente por helicóptero e mais tarde por carro quando nos aventurámos por territórios menos explorados. Documentámos dois dos leões mais interessantes da Gorongosa: os irmãos Brando, machos de juba escura que estão agora a dominar o território a norte do Lago Urema. A nossa embaixadora solitária, de três pernas – Tripod – continua em grande forma e continua a ter tempo para, em algumas noites, se divertir na planície aluvial em aparente contradição com a sua idade (ela tem pelo menos 12 anos de idade). As nossas câmaras remotas documentaram o primeiro registo fotográfico de uma hiena no PNG nas últimas décadas - até agora tinha apenas havido um avistamento fugaz e encontradas algumas fezes. Entretanto continuamos activamente em busca dos leopardos.

 

A nossa equipa é optimista, e sempre que preparamos o carro antes do amanhecer ou do anoitecer, todos nós concordamos plenamente que "vai ser hoje que iremos encontrar os leões " - e partimos para fora do acampamento. O optimismo marca todos os esforços que fazemos - grandes ou pequenos - e sem ele estaríamos perdidos.

 

Pode fazer parte da nossa investigação!

Poderá ajudar-nos através da partilha das suas fotos de leões da Gorongosa. Paola irá usar essas fotos para melhor perceber a população de leões da Gorongosa. 

Project NoahPoderá também ajudar os nossos cientistas a recolher informações sobre os animais da Gorongosa através da partilha de fotos no Project Noah.