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Investigação sobre Elefantes

A Dra. Joyce Poole, uma das maiores especialistas mundiais sobre elefantes, veio à Gorongosa em 2011 para começar um estudo plurianual sobre os elefantes da Gorongosa – a idade, sexo e estado sanitário dos seus indivíduos, as suas

 estruturas familiares e de clãs, os seus espaços territoriais, etc. Ela está igualmente investigando e talvez ajudando a sarar os efeitos psicológicos que perduram desde o conflito civil de Moçambique nos elefantes mais velhos, incluindo o comportamento social dos elefantes que ficaram órfãos durante aquele período. Um determinado  número de elefantes mais velhos da Gorongosa demonstra agressividade em relação aos veículos dos turistas. Este é um comportamento natural dos elefantes, uma vez que os seres humanos foram sempre vistos pelos elefantes como o seu predador. Mas algumas pessoas acreditam que o comportamento de alguns dos elefantes da Gorongosa poderá ser causado pelo trauma que sofreram anos 80 e 90. A Dra. Poole irá trabalhar no sentido de habituar estes elefantes mais velhos e fazê-los compreender que eles não têm nada a recear das pessoas, particularmente dos turistas, na Gorongosa de hoje.

 

Tal como em muitos lugares em outras partes de África, a Gorongosa experimenta alguns conflitos entre seres humanos e elefantes nomeadamente sob a forma de ataques a culturas agrícolas. A Joyce e a sua equipa vão trabalhar para identificar os pontos críticos onde tais conflitos ocorrem e providenciar aos habitantes locais o conhecimento e as ferramentas necessárias para evitar o conflito com os elefantes.

 

 

A Dra. Poole é também uma especialista em comunicação de elefantes e fez o seu trabalho nesta área em Amboseli, no Quénia, vários milhares de quilómetros ao norte de Gorongosa. Ela irá também trabalhar no sentido de perceber se os elefantes  da Gorongosa usam a mesma linguagem dos elefantes de Amboseli, ou se eles de alguma forma falam um dialecto local. O seu trabalho irá assegurar a produção de melhores percepções sobre o comportamento destes magníficos gigantes da Gorongosa e proporcionar aos conservacionistas em outras partes de África dados valiosos que os irão ajudar a gerir e proteger estes belos mas vulneráveis animais.

 

Nós acompanhámos Joyce no seu trabalho e fizemos-lhe algumas perguntas sobre ele:

 

Q: Como é que segue a pista dos elefantes? 

Eu uso todos os meus sentidos e alguma inteligência para encontrar os elefantes. Quando eu saio para procurar elefantes levo em consideração os habitats que eu sei que eles preferem, a distância até à água e onde é que eu os vi antes. Os elefantes têm as suas rotinas tal como nós e muitas vezes seguem um percurso semelhante durante vários dias consecutivos. As famílias têm "áreas domésticas", onde passam a maior parte do seu tempo; os machos têm "áreas de machos" onde eles passam muito tempo durante a parte do ano em que não estão sexualmente activos.

 

Conhecer uma população significa aprender as suas rotinas e os seus lugares favoritos de permanência. Atenção que não estou a falar de pequenas áreas geográficas. Assim que eu chegar a essas áreas o verdadeiro trabalho começa - perscrutar o horizonte, ouvir os seus bramidos ou o estalar de ramos, localizar pistas frescas e até mesmo usando o meu sentido do olfacto. Alguns provavelmente não vão acreditar em mim, mas quando eu estou à procura de elefantes muitas vezes eu tenho a sensação, "de que não há elefantes aqui hoje", o ar à minha volta está simplesmente “vazio de elefantes”, porque carece de uma certa energia. Eu não sou uma crente na para-normalidade e tive de desligar este sentimento para estar em sintonia com os elefantes e aperceber-me, ainda que de forma inconsciente da sua presença, através dos seus bramidos em baixa frequência e do seu cheiro.

 

Q: Como é que identifica cada um dos elefantes? 

Identificar os elefantes não é difícil, mas requer capacidade de observação e é preciso um pouco de prática. Existem muitas características diferentes que podem ser usadas para identificar um elefante: o seu sexo; a sua dimensão e forma corporal; o comprimento e a configuração das presas; o tamanho e forma das orelhas; os padrões das veias nas orelhas; os entalhes, rasgos, e furos nas orelhas. Entalhes, rasgos e furos na orelha de um elefante, ou a falta deles, são as características mais duráveis, enquanto que as presas são propensas a mudar ao longo do tempo - crescem, quebram-se e voltam a crescer.

 

Na Gorongosa uma elevada percentagem de elefantes não têm presas, o que os torna mais difíceis de distinguir uns dos outros. ElephantVoices desenvolveu oito módulos educacionais explicando os diferentes termos que usamos para identificar os elefantes (como "entalhe em forma de colher" ou "lóbulos enrolando para fora" ou "aba cortada") e como usar essas características para identificar os elefantes.

 

Q: Como é que determina a idade dos elefantes?  

Os elefantes continuam a crescer em altura e tamanho total do corpo durante a maior parte das suas vidas, tornando mais fácil determinar a sua idade do que a de outras espécies. Determinar a idade requer no entanto muita prática para ser possível fazer boas estimativas. Categorias de tamanho correspondem a faixas etárias aproximadas. As categorias de tamanho que usamos são: “vitelo” (0-4 anos), juvenil (5-9 anos), adulto pequeno (10-19 anos), adulto médio (20-34) e adulto grande (35 e + anos). Até vários meses de idade os elefantes são suficientemente pequenos para passar por debaixo da barriga de uma fêmea adulta muito grande. Entre os 18 meses e os 2 anos de idade as presas são apenas visíveis além do lábio, embora, naturalmente, não entre aqueles elefantes que não têm presas! Aos três anos de idade as presas de um “vitelo” estendem-se cerca de 8 cm além do lábio. Depois disso, o comprimento e espessura das presas são tomados em conjunto com a forma da face do elefante, o seu tamanho de cabeça em relação ao tamanho do corpo, e o tamanho total do corpo do indivíduo são utilizados em conjunto para determinar a idade de um elefante.

 

Algumas regras de ouro: as fêmeas adultas totalmente crescidas atingem apenas metade do peso dos machos adultos totalmente crescidos, tornando mais difícil determinar a idade das fêmeas do que dos machos. Uma vez que as fêmeas tenham atingido sua altura máxima elas parecem crescer em comprimento; as fêmeas, muitas vezes parecem ter costas distendidas e alongadas. Por volta dos 17 anos, os machos são tão grandes como uma grande fêmea adulta, mas têm apenas metade do peso de um macho adulto grande. Aos 35 anos de idade, quando os machos estão apenas a entrar em plena idade reprodutiva (~35-55), as suas frontes cresceram de forma significativa e as suas presas tornaram-se mais espessas, dando aos seus rostos uma forma de "ampulheta".

 

Pode fazer parte da nossa investigação!

Poderá ajudar-nos através da partilha das suas fotos de elefantes da Gorongosa. Joyce irá usar essas fotos para melhor perceber a população de elefantes da Gorongosa. 

Project NoahPoderá também ajudar os nossos cientistas a recolher informações sobre os animais da Gorongosa através da partilha de fotos no Project Noah.