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Potenciais Investigadores

Incentivamos investigações em diversas disciplinas. Devido à sua biodiversidade nativa, aos seus diversos tipos de habitats, à dinâmica das suas populações de animais selvagens em recuperação, e à sua complexa história humana, o Parque Nacional da Gorongosa oferece oportunidades únicas para investigação biológica, ecológica, hidrológica e social.

 

Embora incentivemos todos os campos da investigação, os seguintes são particularmente interessantes do ponto de vista da gestão e/ou académico:

  • O equilíbrio de grandes herbívoros mudou em relação ao período de pré-guerra, com espécies como o facocero e o inhacoso a terem agora uma maior contribuição relativa (e possivelmente absoluta também) para a biomassa total. Será que outras espécies serão capazes de aumentar e voltarem aos níveis históricos ou irão os números actuais e a percentagem de inhacosos inibir tal mudança? 
  • A “sequência de pastagem” estará a ser gradualmente restabelecida com o aumento do número de búfalos? É este um fenómeno tipo “remendos” (campos de capim) e em que escala é que isso acontece? Poderá a restauração espacial da “sequência de pastagem” ser modelada para todo o Parque?
  • Como é que o declínio no número de herbívoros tem impactado a produtividade primária e os incêndios que se seguiram? São os tempos, a extensão, a intensidade e o padrão espacial das queimadas descontroladas diversas das que existiram no tempo em havia números maiores de herbívoros? Qual o impacto, negativo ou positivo na regeneração lenhosa e no seu crescimento?
  • O número de elefantes foi drasticamente reduzido em relação aos anteriores 2.500 indivíduos. Actualmente, a população de elefantes parece estar a recuperar bem e temos uma estimativa de 300-400 elefantes no Parque. Em muitos outros parques onde há actualmente um debate sobre o "problema dos elefantes", não existem sistemas de monitorização a funcionar para avaliar o seu verdadeiro impacto sobre a biodiversidade. Que sistemas de monitorização podem ser configurados na Gorongosa para estudar as mudanças da vegetação e da biodiversidade à medida que a população de elefantes aumenta?
  • Quais são os impactos dos hipopótamos vistos sob as perspectivas de pasto, adubação e mecânica (i.e., canais nos sistemas aquáticos e caminhos em terra)? Como é que isso mudou desde o declínio no número de hipopótamos? Devemos introduzir mais hipopótamos?
  • Qual era a extensão "histórica" de floresta húmida na Serra da Gorongosa? Podem os padrões de solo, zona de chuvas, a extensão da zona de queimadas e bem como das árvores sobreviventes, serem usados em conjunto com informações sobre habitat, para modelar a cobertura florestal no passado?
  • Qual é / qual poderá ser o papel de corredores ribeirinhos entre a Serra da Gorongosa e do Parque da Gorongosa? Deverão tais corredores ser restabelecidos, e de que maneira, para mitigar os efeitos das mudanças climáticas?
  • Pode informação topográfica de escala fina (LIDAR) ser usada para modelar a dinâmica da planície aluvial, a escalas fina e intermediária, para entender melhor a estiagem de porções da planície de inundação através de erosão acelerada, invasão de árvores, etc.?    
  • Como é que estão a mudar os padrões de uso da terra fora do Parque, e a perda de áreas de pastagens que historicamente estavam disponíveis para a fauna bravia, com impacto sobre os padrões de distribuição sazonal, e resultando em “engarrafamentos” no pasto e limitando de forma geral os números da fauna bravia no Parque? Quais as conexões / áreas de dispersão que devem ser restauradas e/ou mantidas?
  • Como é que estão a mudar os padrões de uso da terra e de aumento da captação de água do lado de fora do Parque e a afectar o regime de inundações do vale da Gorongosa?
  • A espécie de planta exótica invasora, Mimosa pigra, tem estado presente no Parque desde há muito tempo, mas parece ter sido mantida sob controle pelo elevado número de herbívoros. Qual é o impacto que a mudança de números e de rácios de espécies de herbívoros na Mimosa pigra? Será que a recuperando das populações de animais selvagens controlarão a Mimosa pigra ou esta espécie tornou-se tão generalizada e demasiado implantada para ser controlada mesmo por um número elevado de animais de pasto?
  • Compreender e modelar fluxos de forrageiras (tanto em termos de quantidade e de qualidade nutricional para herbívoros) em relação à precipitação pluvial, ao pulsar das inundações, às queimadas e ao consumo de capim.

     

    Os interessados em realizar investigação no Parque Nacional da Gorongosa, deverão enviar um e-mail para “science (@) gorongosa.net”. Por favor, forneçam uma breve descrição identificativa pessoal, quais são os seus objectivos, e o que gostariam de fazer no Parque. Iremos entrar em contacto sobre a sua ideia de projecto e ajudar no desenvolvimento de uma proposta formal do projecto a fim de lhe garantir a obtenção de uma autorização para a investigação.

     

    Os candidatos devem estar cientes de que a investigação na Gorongosa que lida com espécimes de animais e plantas e/ou doenças poderá exigir tratamento especial (do ponto vista ético e legal). Os investigadores devem dar-nos o tempo adequado para que trabalhemos consigo nas ideias da sua proposta e podem ser solicitados a agendar a sua investigação de acordo com outros trabalhos que estejam a ser realizados no Parque. Isto poderá significar que um investigador só poderá realizar a sua investigação vários meses após ter solicitado uma autorização de investigação. Por favor, tome em consideração esta informação se a sua investigação é sensível ao tempo ou é sazonal.