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Leões da Gorongosa

Eles são o símbolo supremo de uma África indomada: ouvir um profundo rugir de leão pela noite dentro é experimentar a verdadeira natureza selvagem. Tal como todos os leões, os  leões da Gorongosa são mais activos à noite, quando está mais fresco. A sua soberba visão nocturna coloca-os em franca vantagem na caça às presas. Mas os leões são oportunistas – se lhes é dada oportunidade de caçarem, irão aproveitá-la, independentemente da hora do dia.

 

Durante o dia, os nossos leões fazem o que todos os gatos fazem: dormem! O leões dormem mais de 20 horas por dia. Poderá deparar-se com um leão estendido a roncar à sombra de uma acácia, de barriga cheia, e verá que é muito parecido com o gato rechonchudo deitado no seu sofá de casa, só que em versão aumentada! De quando em vez, os leões abrem os olhos e bocejam, satisfeitos, mostrando a sua boca cheia de caninos brancos reluzentes e pontiagudos! Se tiver sorte, eles olharão para si com atenção antes de voltarem para a terra dos sonhos. Suster o olhar de um verdadeiro leão selvagem é uma experiência única e um momento que nunca irá esquecer.      

 

Se estiver num dia de sorte, poderá ver uma imbabala ou um facocero deambular por perto, sem ter notado o perigoso predator a sonecar por baixo da árvore. Num instante, os leões podem passar de gatinhos adormecidos a caçadores letais. Os leões não são apenas a nossa espécie mais “carismática”, eles desempenham uma função ecológica crucial.  São predadores no topo da cadeia alimentar, são vitais para a saúde do nosso ecossistema. Se não houver o número suficiente de leões e outros carnívoros grandes, o número de espécies de presas como o facocero, imbabala e chango poderá multiplicar-se de forma descontrolada, com consequências ecológicas sérias.

 

No passado, a Gorongosa albergava centenas de leões e a nossa missão é de voltar a fazer com que a Gorongosa seja um refúgio de leões. Hoje, vivem entre 30 a 50 leões no Parque. Encontra-se em curso um trabalho de investigação, liderado por Paola Bouley, para documentar com precisão, proteger e reconstituir as espécies até à capacidade total do Parque. Este trabalho, além de ser importante para o ecosistema da Gorongosa, é também imperioso para o futuro das próprias espécies.  

 

Nos dias que correm, o leão luta pela sua sobrevivência no continente africano. Em apenas 50 anos, o número de leões selvagens baixou em 70% e foram extirpados em 80% dos seus domínios históricos. A expansão humana crescente e a perda de habitat, abates em retaliação por perdas de gado pela população, armadilhas fortuitas, caça ilegal e práticas de caça premiada estão a dizimar as espécies. Os esforços de conservação como os que estão em curso na Gorongosa são cruciais para a sobrevivência destas magníficas espécies em Moçambique e além fronteiras. Ao visitar a Gorongosa e deparar com os nossos leões, estará a ajudar-nos a preservar o seu lugar legítimo para as gerações futuras.