Há cerca de 30 milhões de anos atrás, o continente Africano começou a quebrar-se. As reprimidas forças de magma quente do núcleo do planeta, empurradas para mais perto da crosta terrestre, criaram uma grande fractura que acabará por dividir a África em duas placas tectónicas menores. Esta fractura, conhecida como o Sistema de Rift do Leste Africano, ou o Grande Vale do Rift, estende-se agora a partir da Jordânia, no sudoeste da Ásia, por todo o leste de África, até Moçambique. O Lago Urema, aqui no Parque Nacional da Gorongosa, é considerado a ponta mais a sul desta magnífica formação geológica.

 

Quando se está nas planícies da Gorongosa, é difícil imaginar que esta área poderá, a dado momento, tornar-se um canal de mar que separa dois continentes novos. Se isto acontecer, o Planalto de Cheringoma, na parte oriental do parque, vai formar o limite ocidental das novas ilhas continentais “da Somália”, enquanto a Serra da Gorongosa, na parte oeste do Parque, encontrar-se-á de frente para o oceano. Mas antes que isto aconteça, as forças dinânimas geológicas que formam a superfície do nosso planeta estão a criar um dos ecossistemas mais férteis e biologicamente rico na história da Terra. O afundamento, elevação e distorção da crosta ao longo dos últimos 30 milhões de anos, combinado com a erosão natural e ciclos anuais de inundações e secas, moldaram o ecossistema da Gorongosa, nas componentes do terreno e biológica.

 

O Parque e sua zona tampão dividem-se em quatro regiões ecológicas moldadas pelo Sistema do Rift, cada uma com o seu próprio microclima, regime hídrico, comunidades de plantas e animais.