À Conversa nos Bastidores com Joel Sartore

27 Maio, 2013

Joel Sartore é o fotógrafo da revista da National Geographique que foi designado para fazer a reportagem da história “O Renascimento da Gorongosa” de E.O. Wilson, publicada na edição de Junho da revista. Tivemos a oportunidade de falar com ele sobre a sua viagem à Gorongosa para fotografar a história.

 

Foto: Joel Sartore (©Joel Sartore/www.joelsartore.com)

 

Q: Que impressão lhe causou a Gorongosa quando lá chegou inicialmente?

Fiquei muito impressionado. Vi muitos animais. O que sobretudo me impressionou foi o facto do Greg Carr e a sua equipa terem ajudado a trazer de volta muitos daqueles animais, e assim devolver ao parque a sua antiga glória.

 

Q: Quais foram os maiores desafios para a sua reportagem fotográfica?

Ter a certeza que faríamos justiça aquele lugar! É muito vasto. Pode-se trabalhar lá muitos anos e não o ver na totalidade.

 

Q: Qual foi o momento mais memorável durante a sua reportagem?

Sobrevoar de helicóptero os crocodilos enquanto eles tomavam banhos de sol nas margens dos rios.

 

Q:  Como foi trabalhar com E.O. Wilson?

Ele é um génio. E um cavalheiro. E tenta todos os dias tornar o mundo um lugar melhor. É um indivíduo fora de série. Já agora: posso dizer o mesmo acerca do Greg Carr.

 

Q: Qual a foto que tirou para a qual precisou de mais “sorte”?

Algumas vezes o tempo que tínhamos, como as neblinas matinais, faziam com que o parque parecesse mágico visto do ar. Nós também tivemos muito êxito com as comunidades locais durante a estadia na serra. Neste último caso não foi sorte, mas sim devido às boas relações que existem entre os funcionários do parque e os moradores da região.

 

Q: Qual a foto que necessitou de mais tempo e esforço para a obter?

Os meus retratos tipo estúdio exigem bastante esforço para os obter, mas sentimos que valeram a pena, porque mostram a deslumbrante variedade das pequenas criaturas que vivem no parque. Há um mundo inteiro sob os nossos pés e também nas copas das árvores que nunca vemos. Esses retratos realmente dão o lado visual e maior profundidade à história, o que permite aumentar a número de páginas.

 

Q: Como descreveria a floresta húmida da Serra da Gorongosa no momento e que lá entrou pela primeira vez?

Bem, fiquei triste ao ver que uma parte tinha sido cortada e queimada para práticas agrícolas nos últimos anos. A equipa de Gorongosa está trabalhar de forma árdua não só para diminuir o desmatamento, mas também para replantar árvores com a ajuda dos moradores locais. Isso é um grande passo, pois permite aos residentes na área a oportunidade de trabalhar, de restaurar e, especialmente, de imaginar o valor de deixar a floresta remanescente intacta. A floresta que restou é de facto adorável, e está cheia de aves e dos seus cantos.

 

Q: O que acha que o futuro trará à Serra da Gorongosa?

Acho que realmente irá depender da pressão demográfica sobre a área. Se a população humana continuar a crescer a 4-5% ao ano, como em muitas outras partes da África Oriental, então as coisas podem ficar seriamente degradadas. O tempo o dirá.

 

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Notícias do Parque