Território Inexplorado: Cientistas descobrem novas e incríveis espécies

6 Junho, 2013

Por Bridget Conneely – É o sonho de todo e qualquer cientista poder viajar para um lugar remoto e inexplorado, e procurar descobrir tantas espécies novas e interessantes quantas lhe for possível. Este foi um sonho tornado realidade para os 15 cientistas Moçambicanos e internacionais que, sob a liderança de Piotr Naskrecki, passaram três semanas no Planalto de Cheringoma, em pleno Parque Nacional da Gorongosa, em Moçambique. Não poderia ter havido um cenário mais aventureiro para esta expedição do que falésias de calcário puro, grutas profundas, espectaculares quedas de água e grandes desfiladeiros com rios circundados por exuberantes florestas ribeirinha. A missão dos cientistas era recolher e registar informações sobre as espécies da região para ajudar os gestores do Parque a entender e a proteger a biodiversidade da Gorongosa.

 

Foto retrato da rã da árvore (Leptopeles flavomaculatus), uma das 33 espécies de rãs registadas no Planalto de Cheringoma (Piotr Naskrecki)

 

No total, a equipa registou mais de 1.200 espécies (cujo registo ainda está a decorrer), incluindo 182 espécies de aves, 54 espécies de mamíferos, 47 espécies de répteis, 33 espécies de sapos, mais de 100 espécies de formigas, e 320 espécies de plantas. Algumas das descobertas notáveis desta investigação foram o morcego "Chewbacca ", em homenagem a um personagem da Guerra das Estrelas; uma estranha rã que vive em grutas e que é possivelmente nova para a ciência; uma formiga, que é incapaz de andar em superfícies planas; um escaravelho bombardeiro que se defende produzindo pequenas explosões a partir do abdómen, e várias esperanças (“katydids”) que são novas para a ciência.

 

Foto retrato do morcego  “Chewbacca” (Triaenops persicus) obtida durante a expedição ao Planalto de Cheringoma (Piotr Naskrecki)

 

A formiga saltadora (Melissotarsus emeryi) é a única formiga do mundo incapaz de andar em superfícies planas. Esta espécie passa a sua vida dentro de passagens estreitas dentro da madeira das árvores e para se movimentar, empurra as suas pernas curtas abaixo e acima do corpo, ao mesmo tempo (Piotr Naskrecki)

 

O escaravelho bombardeiro (Cerapterus lacerates) produz pequenas mas audíveis explosões quando expele químicos voláteis e altamente reactivos do seu abdómen (Piotr Naskrecki)

 

Os cientistas usaram vários métodos na sua investigação, incluindo ratoeiras, redes de malha fina, armadilhas de feromonas, câmaras remotas, e detectores de ultra-sons. Eles exploraram um território desconhecido da Gorongosa, penetraram em grutas em profundos desfiladeiros de calcário, e treparam à copa de árvores muito altas usando técnicas avançadas de escalada e subida a árvores.

 

Nhagutua, um desfiladeiro calcário inexplorado na parte norte do planalto de Cheringoma (Piotr Naskrecki)

 

Este foi o primeiro levantamento da biodiversidade global na história desta área protegida de 4.000 km ², e os seus resultados vão ajudar a orientar o esforço de restauração para reverter as perdas de biodiversidade sofridas pelo Parque durante os conflitos armados que assolaram Moçambique desde 1975 até 1992. Através do conhecimento das espécies que existem na Gorongosa, os gestores do Parque podem tomar decisões mais informadas sobre como proteger a biodiversidade do Parque e as suas espécies raras e ameaçadas.

 

A cientista Jennifer Guyton libertando morcegos capturados durante a expedição, depois de ter registado as suas características corporais (Piotr Naskrecki)

 

O Laboratório de Biodiversidade Wilson, assim chamado em homenagem ao apoio dado pelo Prof. E.O. Wilson, é um laboratório de ciência moderna que irá em breve  abrir na Gorongosa. Os espécimes coleccionados durante a investigação servirão de alicerce para o arquivo de investigações biológica que ficará alojado no laboratório. E as informações recolhidas pelos cientistas da expedição contribuirão para o banco de dados da biodiversidade do Parque, uma ferramenta que ajudará a gerir e proteger seus recursos naturais.

 

Uma esperança (”katydid”) Sylvan (Acauloplax exigua), uma espécie encontrada pela primeira vez 100 anos depois da sua descrição original (Piotr Naskrecki)

 

Um camaleão com abas no pescoço (Chamaeleo dilepis) do Planalto de Cheringoma (Piotr Naskrecki)

 

Foto retrato do louva-a-deus delgado (Idolomorpha dentifrons) do Planalto de Cheringoma (Piotr Naskrecki)

 

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Diários da Selva