A sorte inverteu-se!

26 Março, 2013

O Parque Nacional da Gorongosa é um paraíso para os louva-a-deus - em nenhum outro lugar no mundo eu vi tantas espécies diferentes ou tanta abundância destes insectos. Isto parece ser um bom indicador das condições gerais deste ecossistema, com uma disponibilidade quase inesgotável de presas. Geralmente isso significa gafanhotos e outros insectos, mas, ocasionalmente, aracnídeos e até mesmo pequenos lagartos são vítimas de alguns dos louva-a-deus.

 

Foto: Miomantis é um grande género de pequenos louva-a-deus, de constituição delicada, com cerca de 75 espécies conhecidas em toda a África. Fêmeas, como esta, são geralmente de asas curtas, enquanto os machos têm asas maiores e são excelentes voadores.

 

Ontem à noite, quando ia a andar num dos caminhos do acampamento reparei num pequeno louva-a-deus do género Miomantis preparando-se para apanhar uma gorda aranha verde que estava a começar a tecer uma teia junto a uma das luzes que iluminavam o caminho. Estes louva-a-deus não são mais do que a metade de um dedo mindinho e são de constituição muito delicada, e geralmente alimentam-se apenas de pequenos insectos voadores. Mas esta fêmea estava claramente com muita fome. Ela apanhou a aranha e pegou-a com as suas patas dianteiras. "Bom para ela", pensei, "isto vai ser comida suficiente para produzir várias ninhadas de ovos."

 

Eu decidi tirar uma foto deste feito e corri para pegar a minha câmara. Mas quando voltei, vi que a situação tinha-se tornado trágica para a caçadora - a aranha tinha conseguido libertar-se das suas garras, tinha-a picado, e rapidamente estava a tecer fios de seda em volta dela. A aranha estava ligeiramente ferida também, como era evidenciado pelas gotas de hemolinfa que escorriam de vários pontos do seu corpo, mas, no final, ela ganhou de forma clara e justa.

Foto: Esta pobre louva-a-deus claramente sobrestimou as suas capacidades de caça - a aranha que ela apanhou não só conseguiu escapar-lhe, como também a matou e eventualmente comeu parte substancial do seu corpo.

 

Por Piotr Naskrecki

 

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Diários da Selva