Perfil para Dia Internacional da Mulher – Pelagia Pita

8 Março, 2013

Quando me pediram para seleccionar uma mulher inspiradora para destacar para o Dia Internacional da Mulher, a primeira pessoa que me veio à mente foi a Pelagia Mukumba Pita. Ela é a Coordenadora de Artesanato para o Projeto Eco-Saúde, um projecto financiado pela USAID Moçambique. É também a responsável pela formação das mulheres sobre como cortar e costurar panos de capulana tradicionais para toalhas individuais de mesa e bolsas que são posteriormente vendidas aos turistas. Ela supervisiona a compra desses produtos aos membros das comunidades e a sua venda para a loja de prendas do Parque Nacional da Gorongosa.

Foto: Pelagia ensinando mulheres a fazer artesanato a partir de uma capulana

 

Uma das coisas mais inspiradoras sobre a história da Pelagia é como ela conseguiu a sua carreira de sucesso e os sacrifícios que ela fez pela sua família. Pelagia nasceu na província de Manica, Moçambique, muito perto da fronteira do Zimbabwe, mas ela foi criada no Zimbabwe e começou uma família lá. Em 2006, quando o marido faleceu, ela teve que vir a Moçambique para encontrar trabalho. Ela tomou a difícil decisão de deixar a filha, Kudzaishe, e o filho, Anaishe, com a sua mãe, para que pudessem ter uma melhor educação em língua Inglesa no Zimbabwe. Ela explica:

"Sim, é difícil tê-los a viver tão longe de mim, mas não tenho outra escolha, tenho de trabalhar para eles, mas garanto que os visito pelo menos uma vez cada 3 meses."

Em 2010, ela teve a oportunidade de trabalhar na Gorongosa na recolha de dados para um inquérito de base sobre saúde nas comunidades ao redor da Gorongosa. Ela e os seus colegas passavam os dias entrevistando todos os lares de nove comunidades para averiguar a demografia e o estado de saúde e, no total, entrevistaram 1.905 famílias. Isso não foi fácil, porque as casas estão espalhadas e isso implicou longas caminhadas e acampar durante toda uma semana para chegar a todos os lares. Após a conclusão da recolha de dados, a Pelagia recebeu formação para inserir os dados num banco de dados especializado em saúde.

Foto: Pelagia com estudantes da faculdade do “Mt. Sinai Global Health Center” falando com uma comunidade sobre saúde

 

Esta pesquisa foi conduzida com a ajuda de alunos e professores do “Mt. Sinai Global Health Center”, de Nova Iorque, e a Pelagia desempenhou um papel muito importante na tradução entre Inglês, Português, e as línguas locais, Chi-Sena e Chi-Gorongosi. É muito difícil encontrar alguém que fale quatro idiomas, por isso ficámos muito felizes por ter a Pelagia na nossa equipa.

 

Tive a oportunidade de falar com a Pelagia sobre o trabalho dela na Gorongosa:

 

Como é que trabalhar na Gorongosa impactou na sua vida?

“Para a minha vida pessoal, foi graças a este projecto que eu consegui mandar os meus filhos para a escola e que eles têm tudo o que precisam, e que eu estou a trabalhar para construir a minha casa. Eu também consegui fazer um projecto de geração de rendimentos com a minha mãe e o meu irmão durante as últimas férias. Eu comprei 60 galinhas para cada um, que eles agora estão a criar para depois venderem. Também consegui colocar dois dos meus primos na escola aqui em Gorongosa. Ambos vivem comigo e já estão em na 10.a e  na 11.a classes. Também participei em aulas de condução durante seis meses para me preparar para o meu teste de condução, e consegui passar. Em geral, ganhei muita experiência neste projecto, especialmente no artesanato, nos computadores, e também com a aprendizagem de como lidar com os membros das comunidades.”

 

Como é que tem ajudado as pessoas das comunidades da Gorongosa?

"Eu aprendi muitas coisas, e ganhei muita experiência sobre como trabalhar com as pessoas e as comunidades e tenho visto como este projecto tem feito uma série de melhorias para as comunidades, especialmente para as mulheres,  tais como as parteiras tradicionais e as trabalhadoras comunitárias da saúde, que agora estão conseguindo fazer muitas coisas por conta própria. Essas mulheres têm trabalhado arduamente para melhorar a vida nas suas comunidades, especialmente na área da saúde. Antes, a maioria das mulheres davam à luz em casa e agora a maioria das mulheres dão à luz no hospital, o que é muito bom. A maioria das comunidades não têm casas de banho, mas agora eles tiveram formação e têm casas de banho e conseguem cuidar da sua própria saúde. É difícil mudar alguém que tem vindo a fazer as mesmas coisas durante tantos anos e ensiná-los a fazer algo de forma diferente, mas eles estão a conseguir fazer as coisas a pouco e pouco. Eles estão a mudar.”

 

Do que é que gosta mais no seu trabalho?

“Eu tive de viajar para a África do Sul para uma formação e andar de avião pela primeira vez. E eu gosto muitos dos meus chefes, porque eles sempre dão-me muita força e incentivo e espero que amanhã eu possa continuar a trabalhar para melhorar a vida das pessoas. E conheci pessoas grandes como a primeira-dama de Moçambique e o Governador da nossa província. Há tantas coisas que de eu gosto no meu trabalho.”

 

Por Corina Clemente

 

Categoria: 
Diários da Selva