A Importância de Saber Cavar!

6 Setembro, 2013

Por Joshua Daskin - O maior objectivo da minha primeira temporada de campo foi de instalar-me na Gorongosa e preparar estudos mais intensivos das lagoas sazonais em futuras viagens. Eu mapeei cerca de 500 lagoas, capturei e identifiquei insectos, peixes e rãs, e ontem eu cavei um grande buraco!

Foto: O início, limpando o capim e retirando a camada superficial do solo.

 

Embora essa última parte possa não parecer muita científica, a ideia era criar uma pequena lagoa. No futuro, eu poderei fazer um conjunto de lagoas experimentais - pequenas depressões até um metro de profundidade - e isto foi apenas um ensaio. Começando com uma lagoa virgem, a que se seguirá um conjunto de lagoas idênticas, permitir-me-á perceber como é que o conjunto de espécies que habitam uma lagoa ali chega, e o que é que determina quais as que conseguem sobreviver .

 

Uma razão pela qual Gorongosa é o sonho de uma ecologista é a oportunidade de fazer estes tipos de experiências. Eu poderei fertilizar lagoas para simular níveis elevados de deposição de esterco que provavelmente ocorreram antes da diminuição dos mamíferos do parque. Ou, eu poderei bombear água para lagoas que de outra firma secariam, para ver quais os efeitos da sazonalidade sobre as lagoas.

Foto: O nosso fiscal, Batista, também ajuda.

 

O local para esta primeiro lagoa feita à mão está situado a poucos quilómetros do Chitengo, um lugar que já tinha sido perturbado há anos atrás. Deste modo, a escavação não está no coração do Parque. Tocos de troncos eram tudo o que restava de algumas árvores, e o nosso fiscal do parque contou-me que os dois grandes buracos no chão eram evidências de que alguém ali havia escondido marfim ou armas há décadas atrás, durante a guerra civil.

 

Eu contratei dois habitantes locais, da comunidade de Vinho, a aldeia mais próxima de Chitengo, e com o meu assistente de campo Flávio, começámos o trabalho. Sem nenhuma sombra por perto, foi um dia quente de trabalho para cavar meio metro de profundidade numa área de cinco por cinco metros. Ainda assim, foi um dia agradável e todos nós começámos a conversar, enquanto cavávamos no solo fértil da Gorongosa. Eu aprendi coisas sobre Nampula, de onde veio Abdul, um dos nossos ajudantes de Vinho, e tenho muito pouco orgulho em admitir que Flávio esperou quase uma hora para me dizer que eu estava a usar o lado errado da picareta.

Foto: Os “acabamentos finais” na nossa pequena lagoa feita à mão.

 

Às quatro horas, conseguimos algo parecido com uma lagoa. Agora, eu posso sentar-me e esperar pela estação chuvosa, para ver se a nossa lagoa se enche e retém a água. Se funcionar, eu vou-me sentir à vontade para investir de forma segura na criação de um conjunto completo de lagoas para futuras experiências

 

Por agora, é hora de arrumar a minha tenda e voltar dos Estados Unidos. Foram muito profícuos estes três meses aqui, e eu sei que há muito mais para vir .

 

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Diários da Selva
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