À “caça” da História

10 Julho, 2013

Por Josh Daskin - Na semana passada a minha missão para entender como as lagoas da Gorongosa mudaram em função do declínio dos mamíferos no Parque levou-me até Maputo, capital de Moçambique. Eu estava à procura de imagens aéreas históricas do Parque para comparar com fotos actuais. A ideia é contar e comparar o número de lagoas antes e depois da guerra para ver se a diminuição de mamíferos causou menos ou uma diminuição do tamanho das lagoas.

 

É relativamente fácil encontrar fotografias aéreas de alta resolução actuais utilizando os serviços de mapas online, como o Google ou o Bing, mas as fontes de há 30 ou 40 anos atrás, são escassas. Até ao momento, as minhas melhores descobertas são fotos de satélite dos anos 60 e 70,  tornadas públicas pela Força Aérea Americana e pela CIA, mas elas não têm suficiente alta resolução para distinguir as pequenas lagoas que eu estou a estudar.

 

Foto: Imagens aéreas dos satélites Corrona (1977) e Bing (2011) da zona sul e central do Parque Nacional  da Gorongosa. A lagoa no canto superior direito (verde na imagem de 2011) tem cerca de 100m de diâmetro, uma das mais largas do Parque. O rio na parte superior esquerda é o Mussicadzi. 

 

Comecei pelo norte da cidade, na Universidade Eduardo Mondlane, onde me tinham dito que uma parte dos arquivos nacionais existia. Demorou algum tempo e muitos pedidos de orientações a estudantes sorridentes ansiosos por praticar o seu Inglês, mas finalmente localizei os arquivos num prédio enorme na parte mais distante dum campus cheio de actividade. O armazém é, provavelmente, do tamanho de um campo de futebol, e está cheio, do chão até ao tecto, de estantes com 3m de altura com documentos que registam a história do país. Infelizmente, os dois técnicos que trabalham na classificação os papéis disseram-me que eu tinha que ir ao centro da cidade, à Biblioteca Nacional, para encontrar o acervo fotográfico.

 

No dia seguinte, fui até à Biblioteca e expliquei no meu “Português em desenvolvimento” por que é que eu estava ali e o que é que eu estava à procura. Os funcionários ficaram intrigados e conduziram-me para uma sala nos fundos, onde puseram à minha disposição uma pilha de cartões postais dos anos 70 e um único álbum de fotos da década de 50. Havia fotos de manadas de búfalos e grupos de zebras a pastar na planície aluvial, cenários difíceis de visualizar hoje no Parque.

 

Infelizmente, os cartões-postais e o álbum eram o que existia da colecção de fotos da Gorongosa nos arquivos - não há fotos aéreas. É incrível e triste saber que tão poucas fotos do parque nacional mais emblemático do país sobreviveram, mesmo no arquivo nacional. Ainda assim, fiquei emocionado ao ver um pouco da história do Parque aqui preservada, e as fotos revitalizaram o meu interesse pela restauração da Gorongosa. Eu tenho mais algumas pistas e espero poder encontrar fotos para comparar com as imagens modernas que tenho em meu poder.

 

Foto: Fotos e postais ilustrados do Parque Nacional da Gorongosa encontrados nos arquivos nacionais de Moçambique em Maputo. As fotosd a preto e branco são de 1956 e os postais a cores são de 1970.

 

Categoria: 
Diários da Selva